terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Jesus e o Espirito de Verdade

 

A Identidade de Jesus como o Espírito de Verdade na Exegese Kardequiana

Introdução: O Resgate do Sentido Original

Dentro do movimento espírita contemporâneo, consolidou-se em muitos círculos a tese de que o "Espírito de Verdade" seria uma falange coletiva ou uma representação simbólica do pensamento de Jesus. Todavia, uma análise minuciosa do texto original em francês de Allan Kardec revela que o Codificador apresentava uma convicção muito mais direta: a de que o próprio Jesus preside, em espírito, a transição planetária e o estabelecimento da Terceira Revelação.

1. A Prova Gramatical: O Uso do Enfatismo Lui-même

Um dos pilares desta tese reside no Capítulo I, item 7, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ao referir-se à regeneração da humanidade, Kardec escreve:

"C’est donc l’œuvre du Christ qui préside lui-même [...] à la régénération de l’humanité."

O termo lui-même (ele mesmo/ele próprio) é uma partícula de reforço que visa excluir a ideia de delegação. Algumas traduções brasileiras suprimiram essa expressão, diluindo a força do original. Se a obra é presidida por "ele próprio", a tese de que Jesus atuaria apenas por meio de intermediários perde sustentação diante da clareza sintática de Kardec.

2. A Autoridade do "Consolador Prometido"

Em A Gênese (Cap. XVII, item 37), ao tratar da Anunciação do Consolador, Kardec estabelece uma ponte direta entre a promessa de Jesus no Evangelho de João e a chegada do Espiritismo.

Kardec argumenta que, sob o nome de Espírito de Verdade, Jesus anunciou aquele que havia de vir "ensinar todas as coisas e lembrar o que ele dissera". Pela lógica doutrinária, quem possui a autoridade legítima para "lembrar e restabelecer" um ensino senão o seu próprio autor? A identidade funcional entre o Jesus que prometeu e o Espírito que cumpre a promessa é o que confere ao Espiritismo sua autoridade ética.

3. A Assinatura e a Voz Direta: "O Meu Discípulo"

No Capítulo VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo ("O Cristo Consolador"), as mensagens assinadas pelo Espírito de Verdade carregam uma autoridade pastoral que espelha a do Cristo. Um ponto crucial encontra-se no item 6:

"Estou convosco e o meu discípulo vos instrui." O uso do possessivo no singular — meu discípulo — é revelador. Se o Espírito de Verdade fosse um colegiado ou uma falange impessoal, a terminologia natural seria "nossos discípulos" ou "os obreiros do Senhor". Ao identificar Kardec como seu discípulo direto, a entidade assume a posição de Mestre, reafirmando a individualidade de Jesus no comando da instrução.

4. A Queda do Mito da Impossibilidade de Comunicação

A resistência em aceitar Jesus como o Espírito de Verdade baseia-se frequentemente na suposição de que um Espírito Puro não poderia se comunicar devido à sua elevadíssima "voltagem" vibratória. No entanto, O Livro dos Médiuns (Item 145) classifica como "erro comum" acreditar que Espíritos superiores não podem atuar sobre a matéria ou usar meios simples.

Kardec ensina que a elevação está no pensamento, e não no instrumento. Um Espírito da magnitude de Jesus possui pleno domínio sobre o fluido cósmico universal para realizar a redução vibratória necessária e se fazer entender, garantindo que sua mensagem chegue de forma íntegra ao plano físico.

5. Conclusão: A Importância da Identidade

Reconhecer Jesus como o Espírito de Verdade retira a Codificação do campo das abstrações teóricas e a coloca como o cumprimento de um compromisso histórico do Cristo com a humanidade. Essa identidade reforça o caráter do Espiritismo como o Cristianismo Redivivo, onde o "Caminho, a Verdade e a Vida" não são apenas conceitos, mas a manifestação direta daquele que prometeu nunca abandonar as suas ovelhas.

A interpretação de uma "falange" ou de um "hálito" simbólico parece ser um esforço para evitar o que alguns chamam de "personalismo", mas, ao fazê-lo, ignora-se a precisão técnica e as evidências deixadas por Kardec nas obras fundamentais.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

O homem como fruto de si mesmo.

                                               O homem como fruto de si mesmo


         Primeiro acreditava-mos que erámos frutos da terra , pedaços de barro em pó feitos carne vivendo como animais. Então ganhamos inteligência mas continuamos como animais lutando contra a terra e, pior lutando um contra os outros afim de obtermos prazeres.

          Depois veio a religião nos desmonstrar que por trás desse barro e dessa Terra existe uma ordem cósmica então começamos a cogitar da existência de um criador.

        Da dor do desespero diante das inclemencias da natureza, dos estertores de nossas dores ante a competição desenfreada onde o homem se fez o "lobo do homem" começamos a perceber a paternidade divina.

        Primeiro timidamente na forma de numes tutelares da tribo que nos fizessem vencer as outras tribos; uma espiritualização da competição animal uma versão mal superada do egoísmo puro e cru onde a satisfação de nossas sensações grosseiras começou a ceder lugar para alguma forma de coletividade.

        Então se concebeu a religão-nação onde o pai do nossos companheiros de trabalho e de batalha nos preservaria das intempéries e da violência de outros homens.

       Foi nesse estado psicologico quem que Moises pode nos falar do Deus pai criador dos céus e da Terra que deveria ser adorado na condição de todo poderoso sendo o homem criatura do senhor do universo.

        Então começamos a servir a Deus scrificando os animais , simbolos das aspirações humanas de então. Concebemo um Deus a nossa imagem e semelhança, ambicioso ganancioso e violento e procuramos servi-lo afim de obter vitórias sobre outros homens que pudessemos submeter a nossos caprichos.

        Guerras sangrentas se passaram em nome desse Deus e a multidão dos desesperados vencidos pela fome de suas necessidades fisicas e espirituais de espalhavam pela Terra.

        Então surgiu Jesus...

        Ela falava de um pai que não era da tribo, da não nação ou mesmo de si mesmo. Era o pai de todos!

        A humanidade sofredora , cansada dos atritos dos deuses tribais e das guerras dissolventes da matéria estava pronta para ouvir de um pai cósmico chamando pela fratrernidade universal.

        Então os homens começaram a erguer templos ao pai de todos e os sacrificios de carne se tornaram sacrificios de espirito. As hóstias deixaram de ser dos animais sacrificados dos judaísmo e paganismo e passaram a ser do espirito que entrega seu coração a Deus.

        Mas ainda o homem espera satisfações animalescas desse Deus satisfazendo-lhe as necessidades da carne. E novamente em nome D'ele fizeram guerras sangruentas. 

        Em meio ao açodar das velhas paixões em nome do principe da paz, religiosos de todos os tempos tentaram lembrar aos seus irmão em sofrimento que o Reino de Deus não é desse mundo...

        Quando os melhores esforços estavam esterelizados em velhas discussões teologicas e o materialismo propunha um renascimento inteligente do velho animal sem Deus e sem pai saido do barro da Terra como mero pedaço de carne  

domingo, 19 de junho de 2016

Jesus,
Eu te pedi o sucesso no plano da riqueza e do poder temporal e me destes o fracasso com o qual pude refletir em minhas necessidades imensas que queria encobrir em mantos de ouro.
Implorei pelas afeições do mundo com as quais esperava ver reconhecido meu valor e me ensinastes o valor do silêncio a escutar a voz profunda da minha consciência a clamar
pelo infinito.
Esperei de ti o conforto no qual eu poderia repousar da fadiga extrema dos combates existenciais e me deste o trabalho que acendrou minha alma em subida ao cosmos.
Hoje qual criança reconhecida e feliz sinto em meu coração a gratidão de quem guarda os tesouros do universo dentro de si.
Desejei os tesouros da Terra e fizestes de mim um tesouro na qualidade de filho de Deus capaz de sentir a grandiosidade do infinito!
E porque me destes multiplicado em grandeza as mesquinharias que pedi enseguecido rendo-te graças e adoro as grandezas celestes de um coração que abandonou a lama em direção ao infinito!

domingo, 5 de abril de 2015

Advento do Espírito de Verdade

Advento do Espírito de Verdade


 Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis."
Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente, e que se faça ouvir não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que já não vivem na Terra, a clamar: Orai e crede! pois que a morte é a ressurreição, sendo a vida a prova buscada e durante a qual as virtudes que houverdes cultivado crescerão e se desenvolverão como o cedro.
Homens fracos, que compreendeis as trevas das vossas inteligências, não afasteis o facho que a clemência divina vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho e reconduzir-vos, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai.
Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de estender mão socorredora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai sobre as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com a boa semente, as utopias com as verdades.  Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: "Irmãos! nada
perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade." - (O Espírito de Verdadade, Paris, 1860)

Essa comunicação é o tema de minha palestra de amanhã. Na minha opinião e de muitos espíritas ela é mais um elemento que comprova que o Espírito de Verdade é o próprio Jesus. Inclusive essa comunicação é reproduzida de forma quase idêntica no Livro dos Médiuns assinado com o nome de Jesus de Nazaret.